Abrace a mudança
Em 1951 surge na Índia o primeiro dos 23 Institutos Indianos de Tecnologia (IIT), centros de excelência em ciências, engenharia e tecnologia que nos últimos 70 anos vem formando dezenas de milhares de talentos em várias áreas do conhecimento humano, incluindo em engenharia e ciências da computação.
A partir de meados dos anos 90, com a abertura política e econômica da índia, e o avanço das tecnologias computacionais e de comunicação, estes profissionais qualificados passaram a ter acesso ao mercado global, reduzindo custos, e suprindo a demanda de talentos principalmente no setor da tecnologia da informação.
Rapidamente perceberam que à medida que as barreiras foram sendo derrubadas e as economias se abrindo, os mercados se ampliaram em tamanho e complexidade, criando novas especialidades e empregos, que foram aproveitados por aqueles que abraçaram a mudança, e se adaptaram a ela.
Mais uma vez acompanhamos uma série de inovações, como a cloud, o blockchain, o 5G, a realidade aumentada, a inteligência artificial, e a automação alterando a forma como nos relacionamos, trabalhamos e fazemos negócios. Mudanças as quais exigirão profundos investimentos na área do conhecimento, e que devem ser encaradas não com medo, mas com esperança.
Aqueles que já estão capacitados passarão a ter acesso a um mercado de oportunidades muito maior, e aqueles que estão nos degraus mais baixos do conhecimento serão impelidos a fazerem um movimento ascendente de qualificação.
Em uma economia globalizada, a briga pelos talentos se acentua, que migram para aqueles locais com maiores oportunidades para se desenvolverem, aumentando os salários médios, e abrindo espaço para a capacitação de mais indivíduos na base da pirâmide.
Por sua vez o progresso segue a sua ordem natural, e agora estamos também percebendo mudanças no tipo de oportunidades que estão sendo criadas. Os empregos operacionais, aqueles que possuem tarefas manuais e repetitivas, estão sendo substituídos por aqueles empregos que exigem mais do nosso intelecto e da nossa criatividade, ajudando a cair por terra o conceito de horário fixo de trabalho diário, e o controle hierárquico sobre o processo de trabalho, que está migrando para estruturas baseadas em autonomia e colaboração.
Mesmo que não esteja no escritório, ainda que se divirta ou durma, a mente de um criativo absorve, assimila, elabora estímulos, idéias e inspirações 24 horas por dia. Não se pode contudo pedir a ele que venha amanhã ao escritório a partir das 08 horas e comece a produzir idéias.
É preciso conferir ao criativo plena liberdade de tempo e de espaço, oferecer-lhe uma organização por objetivos, e focar na sua motivação mais do que no seu controle. Cada vez que o trabalho se torna mais subjetivo, mais o ambiente, a cultura e principalmente o propósito das empresas se tornam fatores decisivos na atratividade dos talentos.
A organização moderna portanto é uma completa e radical transformação, onde todos deverão vivenciar mudanças referentes a um novo modo de pensar a produção do trabalho. O tempo destinado à aquisição e compartilhamento de conhecimentos aumenta,, a esfera emocional é posicionada ao lado da esfera racional, e a dimensão subjetiva reconquista o seu lugar ao lado da dimensão prática.
Com tudo isso, é importante lembrarmos que enquanto existirem seres humanos sempre existirão desejos e necessidades a serem saciadas, gerando infinitamente novas indústrias, empresas, e empregos, mas para aproveitá-los é importante não nos esquecermos de que as oportunidades sempre irão para aqueles que estiverem mais bem preparados para abraçarem a mudança.
Em tempos onde para atrair talentos é cada vez mais necessário saber falar aos seus corações, nunca esteve tão atual está frase de Saint-Exupery: “Se você quer construir um navio, não reúna os homens para procurar a madeira e distribuir as tarefas, ensine a eles a nostalgia do mar amplo e infinito”.