Mudança de Hábitos

É da essência do ser humano sentir, produzindo pensamentos e ações como consequência.

Por isso, não é com espanto que percebemos que o autoconhecimento é um dos assuntos mais comentados por pensadores em todos os tempos. Trata-se da busca em conhecermos a nós mesmos, dominar-nos, e moldarmos a realidade à nossa volta. É a idéia de que toda verdadeira mudança começa de dentro para fora, e nunca em sentido contrário.

Que a evolução que primeiro devemos buscar é a da nossa própria consciência. É jogando luz sobre a escuridão do nosso inconsciente, que passamos a descobrir quem somos, e a descobrir por que fazemos o que fazemos, e uma vez tomando consciência das nossas emoções e desejos, deixamos de ser facilmente manipulados por eles, passando da reação à ação, de apenas sobreviver para realmente ser.

Emoções e desejos são forças que se combinam em uma linha do tempo para formar diversos estados emocionais, os quais agem como filtros da realidade por nós percebida, moldando a nossa personalidade, e guiando os nossos comportamentos.

O desejo de satisfazer uma necessidade física ou psíquica gera um estímulo, que nos faz esboçar uma resposta emotiva automática. Essa resposta emotiva molda o elemento cognitivo - a idéia, que, combinados, geram os complexos estados emocionais. Esses por sua vez determinam as nossas atitudes e as nossas palavras, que juntas comandam as nossas ações e os nossos comportamentos, que, ao se tornarem rotineiros, geram hábitos psíquicos.

Quando surge um hábito, o cérebro interrompe o processo de tomada de decisões, diminuindo seu esforço e desviando o foco para outras atividades. Ganhamos em eficiência, mas perdemos em liberdade, pois o nosso cérebro trata de igual modo tanto os hábitos ruins quanto os bons. A boa notícia é que os hábitos, mesmo os psíquicos, podem ser ignorados, alterados ou substituídos, necessitando que para isso identifiquemos os estímulos que os acionam, reprogramando novas e mais adequadas respostas.

Aprendemos muitas coisas nas instituições de ensino, no lar, e no trabalho, mas raramente somos preparados para aquela ação dirigida e consciente, de acolher, aceitar, governar e ressignificar os nossos diferentes estados emocionais. Aqui não deve haver nenhum tipo de vergonha ou receio em buscar conhecimento e auxílio especializado, pois o assunto pode se tornar bastante complexo. As emoções se misturam podendo formar até 42.000 combinações diferentes, que, se unindo ao elemento cognitivo, podem gerar infinitos quadros emocionais.

A objetividade absoluta, sempre foi um mito da nossa época, levado adiante pela prática do processo industrializado, pela infinidade das atividades operacionais, e da mão de obra abundante. Em um cenário onde as atividades se tornam cada vez mais de cunho criativo, portanto cada vez mais humanas e subjetivas, as áreas da psicologia e da neurobiologia se tornam as novas fronteiras do conhecimento, devendo receber mais atenção e investimentos do setor privado.

O trabalho flexível, a produtividade por resultados, os ambientes de trabalho integrados à natureza, a meditação, o ser integral, a inteligência emocional, a comunicação não-violenta, a psicologia analítica, a psicologia organizacional, e a psicologia do trabalho são apenas alguns dos avanços já introduzidos no cenário empresarial que visam nos ajudar a preservarmos a nossa saúde mental e emocional, e que devem ser radicalmente evoluídos a partir de novos estudos, pesquisas e inovações nesta área.

São Paulo, o apóstolo, defendia que a educação dos nossos sentimentos no amor, nos conduz ao correto pensar, e à praticar ações justas. Vivemos angustiados querendo mudar a tudo e a todos, nos esquecendo que apenas precisamos mudar a nós mesmos, e, quanto a isso, a velocidade não é importante, mas sim acertarmos a direção e o sentido. Lembremos que a evolução não dá saltos, e a mudança se dará pouco a pouco, um hábito de cada vez.

Anterior
Anterior

Não tropece

Próximo
Próximo

Abrace a mudança